Revista Mensal


   Edição 119 - dezembro 2014

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Metodologia vivencial

Que importância e possíveis conseqüências, a formulação de um problema pode conferir a uma situação de ensino-aprendizagem?

Digamos que estejamos elaborando uma aula, onde um dos objetivos a ser alcançado seja o aluno construir e elaborar o conceito de velocidade média. Para tanto, dispomos de algumas mídias que apresentam um corpo em movimento, como por exemplo, o Pica-Pau que vimos no texto anterior.

O fenômeno de deslocamento do objeto “Pica-Pau”, contrariamente ao que parece à primeira vista, nos oferece a oportunidade para formularmos uma infinidade de problemas, de acordo com os diferentes objetivos que desejamos que o aluno alcance.

Por exemplo: se formularmos a questão “qual é a velocidade média do Pica-Pau?” estaremos, na verdade, apresentando um problema abrangente. Vejamos, porque: a que intervalo de tempo estamos nos referindo? Qual é a posição inicial do “bichinho”? Neste cenário, medindo a variação de posição e o correspondente intervalo de tempo em que ela ocorre teremos as duas principais observações mensuráveis do fenômeno e que poderão ser utilizadas para se chegar à resposta ao problema proposto.

Para citar apenas mais um exemplo, poderíamos formular a seguinte questão: “Que forças atuam sobre o Pica-Pau, ao longo de sua trajetória, de modo a garantirem o movimento que apresenta?”.

Notamos aqui, tratar-se de um problema que envolve uma análise de forças cuja resultante sendo praticamente nula, confere ao corpo um movimento com velocidade média também praticamente constante. E não é só isso: ao descer pela haste, o Pica-Pau oscila e todos quantos já o observaram sabem da variedade de movimentos e forças que nele atuam.

Estas reflexões nos levam a buscar e alcançar uma generalização mais ampla. Pelo exposto observamos que para um mesmo fenômeno podemos formular diversos problemas, tomados sob diferentes pontos de vista. Então, podemos dizer:

“Um mesmo fenômeno permite a formulação de inúmeros problemas que se constituirão no ponto de partida para investigações sistematizadas”.

Esquematicamente:
 

Legenda
P1 a Pn: Problemas formulados acerca de um mesmo fenômeno

A investigação, por sua vez, compreende aspectos ligados aos procedimentos de abordagem visando a resolução do problema. Dentre eles:
  • Levantamento de hipóteses;
  • Observação cuidadosa dos fatos destacados pelo problema e situados pelas hipóteses;
  • Aquisição de dados relativos as fatos selecionados;
  • Tratamentos estatísticos, geométricos e matemáticos dos dados obtidos quando for o caso;
  • Correlação entre grandezas estudadas;
  • Correlação e interconexão entre fatos e dados organizados;
  • Preparação para apresentação dos dados obtidos.
O processo de investigação conduzirá à elaboração de um modelo inicial que permitirá, dentre outras finalidades: 
  • Destacar conceitos em processo de construção;
  • Organizar e apresentar de forma adequada, os resultados mais importantes das investigações realizadas. 
A verificação de consistência do modelo inicial propiciará a elaboração de um modelo mais refinado, em concordância satisfatória com o problema proposto. Para tanto é preciso que o modelo inicial, e, portanto provisório, possa antever aspectos do fenômeno, dentro de uma margem de precisão previamente definida ou possível de ser alcançada, principalmente em função do método e do instrumental de medida.

O sucesso desse processo permitirá elevar o modelo inicial à categoria de modelo formal, definitivo até que outro modelo, ainda mais acurado ou amplo, não venha substituí-lo.

Em resumo, a metodologia apresentada pode ser apreciada a seguir:
 
 
 
A percepção destas possibilidades metodológicas desde a contextualização de um fenômeno, passando pela formulação de problemas relevantes a ele vinculados, transitando pela investigação criativa e alcançando a configuração de novos modelos pode conduzir o trabalho educacional a ricas e variadas possibilidades, objetivando a construção de novas estruturas cognitivas, competências e atitudes nos estudantes.

É ainda importante realçar que a metodologia vivencial, como toda metodologia, é um caminho e que a participação criativa e crítica do estudante são muito mais freqüentes se comparadas aos modelos discursivos de ensino-aprendizagem tradicionais.