Revista Mensal


   Edição 118 - novembro 2014

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4 - Passos da sequência didática

Para que aconteça então a sequência didática os demais passos podem ser encaixados nos horários diários da escola sem nenhuma outra imposição. temos apenas que lembrar que a Sequência aqui apresentada só é composta com atividades que englobem todos os passos abaixo listados. Vejamos:

2º passo: trabalho com a exploração dos Sentidos

• Tato
• Visão
• Olfato
• Gustação
• Audição

3º passo: trabalho com uma ou mais Linguagens

• Pictórica – desenho
• Musical – vocalização, oralidade, rota fonológica e voz
• Sinestésica – movimento/psicomotricidade
• Midiática – computador
• Gráfica – as letras e os números

4º passo: trabalho explorando uma ou mais Formas

• Aplainar
• Ampliar
• Reduzir
• Juntar
• Modificar
• Quadrado
• Triângulo
• Círculo
• Retângulo

5º passo: é quando o educador pode lincar conteúdos (Interdisciplinaridade)

• Natureza e sociedade
• Identidade e autonomia
• Movimento
• Música
• Artes visuais
• Literatura Infantil

Não é demais dizer que estes passos não possuem ordem definida, ou seja, o educador pode realizar uma atividade interdisciplinar antes de realizar uma atividade com formas e assim sucessivamente. O importante é lembrar que o conteúdo a ser trabalhado naquela UNIDADE CORPORATIVA precisa passar por todas as linguagens e por todas as etapas, passo a passo, pois é esta diversidade na metodologia que vai possibilitar muito mais estímulo à criança e consequentemente deixará a ela uma organicidade imprescindível para que ela possa perceber as lógicas que o mundo e os conhecimentos desencadeiam.

Também vale a pena lembrar que no caso da Educação Infantil as atividades de registro nunca podem ser realizadas nos últimos horários dos períodos letivos. Exemplo: fazer raciocínio lógico ou tentativas de escrita nos últimos 30 minutos do período letivo não é o ideal, pois as crianças já estão esgotadas de uma manhã ou de uma tarde de trabalho e isto as deixam com menos condições de vigília – atenção, o que só atrapalha sua concentração na execução formal da atividade.

Outro ponto que requer atenção é o fato de que nos últimos horários várias crianças acabam saindo mais cedo em função de os pais apanhá-las. Assim, nos últimos minutos do dia letivo é sempre melhor termos atividades corporais, músicas, artes e até mesmo roda de conversa pois estas dinâmicas de aula não se deixam interferir pelos problemas apresentados.

Também vale a pena ressaltar que esta sequência didática possui inúmeras outras ramificações e que apenas uma atividade dentro de cada passo pode já trazer benefícios às crianças. Exemplo: dentro do trabalho de formas há atividades para ampliar ou diminuir ou aplainar formas. Qualquer uma dessas atividades já apresenta bom resultado. Assim, caso o professor tenha trabalhado com a criança naquele dia um conteúdo ligado ao tema CASA, basta ele escolher se a criança deve tentar ampliar ou reduzir uma figura de casa. Não é preciso fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Claro que é importante lembrar que o contexto do trabalho com o tema CASA é que vai determinar muitas vezes a opção que o professor deve tomar. Assim, vamos imaginar que o professor tenha trabalhado o tema CASA e que sua opção tenha sido pelo começo com a música – era uma casa muita engraçada não tinha teto não tinha nada. Neste caso, se toda a música fala de uma casa que nada tem, ao invés de o professor ampliar ou reduzir a figura de uma casa, é bem mais proveitoso tentar representar com formas qual seria o modelo – desenho – da casa descrita na música. Assim, o trabalho com formas e ao mesmo tempo com música já estaria assegurado.

O que é sempre bom frisar é que a sequência didática possui a capacidade de assegurar à criança as múltiplas linguagens e a riqueza de metodologias importantes aos seus desenvolvimentos.

Depois de muito já se ter construído no Brasil para a Educação Infantil, nós, os educadores da infância, estamos vivendo um novo momento no processo de construção dos saberes na infância.

Passamos de antigos momentos de meramente cuidar das crianças para que seus pais e mães pudessem trabalhar, para escolas com ofertas de educação para a autonomia e também da identidade não só das crianças, mas da sociedade na qual ela está inserida.

Claro que não podemos deixar aqui de registrar as inúmeras experiências espalhadas país afora, de escolinhas e centros de Educação Infantil que ainda não garantem, não oferecem e tampouco não desenvolvem projetos educativos a contento da infância e também daquilo que hoje já temos condições dentro de nosso país. Porém, estas experiências de apenas cuidar das crianças estão se diluindo a cada dia mais, tanto nas escolas públicas como privadas.

Não se trata de otimismo exagerado, mas de uma constatação, in loco, que se pode ouvir inclusive na verbalização, exagerada e atravessada, dos pais quando chegam à porta dos centros de Educação Infantil e perguntam: quando eles irão aprender a ler?
Pode ser, e é, quase sempre, uma ansiedade e uma constatação equivocada dos pais – de que a criança precisa ou tem que ser alfabetizada já na Educação Infantil. No entanto, esta afirmação dos pais traz também uma verificação de que eles estão vendo a Educação Infantil também de outra forma. Eles podem ver que a Educação Infantil pode educar, apresentar e estruturar conteúdos em suas atividades do cotidiano e principalmente pode ter trabalhos pedagógicos organizados e intensificados gradativamente.

Resta-nos agora fazermos ou desempenharmos o nosso próximo passo – saber como e em quais formatos oferecer educação de qualidade, sem perder o prazer do brincar, do cantar e das descobertas a que a infância precisa ser garantida. E isto ainda com uma nova contribuição científica – a neurociência. Hoje não é possível mais se dedicar apenas à pedagogia para resolver os problemas da sala de aula, infantil sobretudo. Devemos repensar nossas ações a partir destas novas contribuições da neurociência ou outra informação e campo do saber.
É justamente neste ponto ao qual chegamos que a sequência didática toma forma. Uma boa e específica sequência didática vai garantir um excelente trabalho pedagógico com as crianças e ao mesmo tempo vai garantindo que a infância continue sendo vivenciada como se deve.

Há inúmeros trabalhos mundo afora que determinam a idade da primeira infância como preponderante para o trabalho de estímulo de múltiplas linguagens já nos primeiros anos de vida das crianças. Estes trabalhos apontam para os ganhos, quando nos utilizamos de múltiplas linguagens – e principalmente quando utilizamos mais linguagens, com riquezas de detalhes e de estímulos junto às crianças, embaladas por um pacote forte de relação afetiva.

Segundo Marta Pinheiro, A superação da questão dualista nature-nurture, ocorrida no século XIX, resultou no reconhecimento da participação tanto dos fatores hereditários (denominados genes3, em 1910) quanto dos fatores ambientais (intra e extrauterinos) na determinação das características físicas e comportamentais (normais e anormais) do ser humano, dando início ao paradigma interacionista. Assim, em relação a um dado caráter, por exemplo, a inteligência, admite-se que ela resulta da interação dos genes herdados com o ambiente (intra e extra-uterino) em que a criança se desenvolve, ou seja, ninguém herda inteligência, que é um fenótipo, mas um conjunto gênico ou um genótipo. (PINHEIRO, 1996, p.45; RIDLEY, 2001, p.93- 110). Isto faz-nos crer no tamanho da importância de um espaço rico, de uma criança disponível e de um método múltiplo em todos os sentidos, ou seja, de uma sequência didática.

BOX
ATIVIDADE DE RELAXAMENTO COM USO DE EXPRESSÃO CORPORAL

Materiais necessários

Sucatas, pedaços de papel, objetos diversos: lenços, bolas, lápis, cartões de cores, velas , lanternas, frutas...

Atividade

Coloque as crianças todas, sem calçados, esparramadas por uma sala bem arejada e limpa. Peça a elas que caminhem livremente, sem direção determinada. Em seguida, peça que acelerem um pouco o passo, essa atividade irá também ajudar na autoestima e confiança da criança. Quando os passos estiveram bem rápidos diminua um pouco o ritmo e repita essa variação umas 3 ou 4 vezes.

Agora peça que elas escolham um dos objetos que você colocou no centro da sala (garrafas de plástico, bolas, velas, lanternas, pedaços de papel, frutas e tantos outros). Com este objeto a criança terá que se relacionar de agora em diante. Primeiro peça que elas imitem o ato de fabricação do objeto, sem parar de andar, agora lentamente e ao som de uma música tranquila e relaxante.

No caso de uma fruta o aluno pode imitar o processo de colheita, de lavagem e de transporte dela. Quando você se certificar que todos estão realizando os gestos, peça para que comecem a utilizar o objeto para uma ação qualquer, por exemplo, a criança pode começar a descascar a fruta, em gestos, pode fazer da fruta uma bola de jogo, pode imitar com a bola que está jogando vôlei com alguém e assim por diante. O importante é fazer a criança reproduzir atos e gestos que estão ligados às utilidades reais dos objetos. Lembre sempre que é uma atividade de imitação e quanto mais lento a criança fizer isto melhores os resultados pois assim ela estará se conscientizando da prática e da sequência dos atos. A câmera lenta, aquele recurso da televisão, é maravilhoso neste momento. Inclusive você pode pedir um "congelamento" da ação que está sendo executada de momentos em momentos. Agora peça que os alunos troquem os objetos por outros que estão sendo utilizados por outros colegas e repita a mesma dinâmica. Neste momento você terá chegado à parte mais importante desta atividade. Sem deixar que eles parem de executar a atividade que estão fazendo peça para que todos andem apenas em uma das pernas e movimentem o corpo apenas para trás.

Vai parecer uma grande confusão, porém é assim mesmo. No começo eles terão dificuldades de realizar movimentos combinados, mas depois isso vai melhorando. Vá acrescentando outras dificuldades ao longo dos exercícios, por exemplo: sem executar os primeiros movimentos com os objetos escolhidos (estes podem ser abandonados nesta altura da atividade), peça aos alunos que andem para frente e ao mesmo tempo movimentem o braço esquerdo em círculo e o direito para cima e para baixo.

Quando este movimento estiver bom, coloque linhas retas e curvas no chão (com o apoio de um giz ou de uma fita adesiva) e peça que repitam a mesma operação só que desta vez sobre o percurso delimitado.

Pode também pedir que eles penteiem o cabelo andando sobre a linha, mas sem deixar de movimentar um dos braços, por exemplo. Com lenços é possível vendar os olhos e realizar uma série de movimentos alternados. Para isso você pode colocar obstáculos no meio da sala para que eles aprendam também a localizá-los espacialmente. Com lenços ainda é possível realizar atividades aéreas do tipo coreografias sincronizadas. Você pode inclusive ensaiar uma apresentação para uma festa da escola somente com os movimentos de lenços. Para isto faça coreografias com 5 ou 6 lenços coloridos por aluno e crie com eles movimentos dos mais variados possíveis, inclusive pensando na alternância das cores, na direção dos movimentos e na harmonia dos ritmos. Isso fará com que os alunos possam se interessar muito mais pelas atividades de coordenação motora viso-espacial.

AVISO IMPORTANTE

PROCEDIMENTOS PARA RECEBER CERTIFICADOS DOS CURSOS

A revista Direcional Educador não está mais recebendo avaliações de cursos já publicados pela revista (Sequência Didática na Educação Infantil, Drogas: Prevenção na área da dependência química, Educação Cidadã e Educação Integral e Educar a Infância: Desafios Constantes).

Aguardem novo curso nas edições de 2014!