Revista Mensal


   Edição 119 - dezembro 2014

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3 - Trabalhando com unidade corporativa

VEJAMOS UM EXEMPLO DE UNIDADE CORPORATIVA:

Reparem que unidade corporativa é a unidade criada pelos vários conteúdos que englobam o tema – CABELO.

Cabelo é o tema central e todos os outros conteúdos que estão em torno de CABELO, ajudam a compor o que chamo de unidade corporativa. Assim, ao trabalhar com cada um deles, as crianças vão ampliando e entendendo a dimensão de um conteúdo.

À esquerda já estão todos os conteúdos da unidade corporativa divididos nos parâmetros curriculares nacionais para a Educação Infantil. Esta divisão possibilita que o professor possa entender que o trabalho semanal precisa não só englobar português e matemática, mas que os jogos, o movimento, as músicas e os demais conteúdos podem e devem ser trabalhados em torno do tema central. É isto que vai criando a sequência didática e facilita a forma de a criança perceber e interagir com o mundo que a cerca.

A escolha de quais músicas serão trabalhadas, desde que trabalhem a situação já definida ali em termos de CABELO, pode ser dos professores junto com as crianças. Uma pergunta simples do tipo: que música vocês conhecem que falam sobre cores de cabelo, pode perfeitamente resolver o questão. Reparem ainda que os temas escolhidos para raciocínio lógico matemático podem dar origem ao trabalho de seriação ou classificação na Educação Infantil, afinal, grampos de cabelo podem ser agrupados de 2 em 2, ou divididos, ou até mesmo contados a partir de dezenas ou dúzias. O importante é obedecer ao planejamento dando condições de a criança ter na mesma semana atividades de movimento, música, linguagem, artes e demais parâmetros, sempre em torno de um núcleo comum, tema central, para que a criança tenha facilidade de perceber a ligação entre um tema e outro.

Também é importante evitar atividades que sempre terminem em registros escritos ou em tentativas de escrita. Assim, se a atividade é artes ou música ou movimento, contente-se em desenvolver isto. Não acredite que a criança só esteja aprendendo se ela estiver escrevendo. Para isto é que temos os sete parâmetros para a Educação Infantil. Eles garantem que as crianças tenham diversidades de linguagens e de condução de trabalho pedagógico ao longo da semana, caso contrário tudo fica mais “massante”, enjoativo e,  consequentemente, mais complicado.

Na Educação Infantil é preciso ter atividades, mas é preciso, antes de tudo, saber para que elas serão colocadas ali e quais possíveis resultados elas desencadearão.

Vamos desenvolver uma situação didática para concretizar sua aprendizagem?

Toda vez que o planejamento para Educação Infantil tiver que ser estruturado sob o prisma da SEQUÊNCIA DIDÁTICA, ele terá que seguir cinco passos, que não precisam ser rigorosamente na ordem aqui apresentada.

Ressalto a importância de que o primeiro passo seja sempre o passo em que o educador trabalhe EMOÇÃO/RECEPÇÃO, pois é este o momento mais delicado da sala de aula da infância. Saber receber e acolher uma criança é uma tarefa muito importante. A criança não tem experiência profunda em convivência nos espaços coletivos hoje, sobretudo aqueles que vivem em pequenos apartamentos, espaços reduzidos, fechados, privados, em função da violência, do convívio com outros seres.

Desta forma, o educador precisa ter uma forma delicada, segura e afetiva para receber e acolher diariamente as crianças pois elas estão em socialização, em construção de autonomia, em descobertas destes ambientes educativos. Assim, sugiro que a atividade que trabalha e que ouve as questões afetivas trazidas pelas crianças seja sempre a primeira do dia - assim o educador poderá usar, inclusive, estas histórias e estes relatos ao longo da manhã ou da tarde. Situações trazidas pelas crianças ao grupo, na hora da roda, da conversa ou da prática diária da escuta, são ricas e possibilitam que elas entrem mais rapidamente em contato com os outros – razão maior da socialização.

1º passo da sequência didática: Recepção/emoção

• Emoção
• Sensibilidade
• Interação social
• Simbolização

Wallon foi o primeiro a levar não só o corpo da criança, mas também suas emoções para dentro da sala de aula. Fundamentou suas ideias em quatro elementos básicos que se comunicam o tempo todo: a afetividade, o movimento, a inteligência e a formação do eu como pessoa. Militante apaixonado (tanto na política como na educação), dizia que reprovar é sinônimo de expulsar, negar, excluir. Ou seja, “a própria negação do ensino”. Dizia ele:

As emoções têm papel preponderante no desenvolvimento da pessoa. É por meio delas que o aluno exterioriza seus desejos e suas vontades. Em geral são manifestações que expressam um universo importante e perceptível, mas pouco estimulado pelos modelos tradicionais de ensino. A origem do pensamento da criança. H. Wallon, 1989.

Wallon dizia que o estado emocional geralmente impede o indivíduo de exercer determinadas atividades cognitivas (A origem do pensamento da criança. H. Wallon, 1989). Para ele uma situação emocional não ouvida, não “tratada” ou não trabalhada, poderia provocar limitações no processo de aquisição da linguagem e, portanto, dos conhecimentos da escola. Para ele  há diferenças entre o desenvolvimento afetivo, motor e cognitivo.  O estudo do desenvolvimento humano deve considerar o sujeito como “geneticamente social” e estudar a criança contextualizada, nas relações com o meio. Ele  recorreu a outros campos de conhecimento para aprofundar a explicação dos  fatores de desenvolvimento (neurologia, psicopatologia, antropologia, psicologia animal).

O motor, o afetivo, o cognitivo, a pessoa, embora cada um desses aspectos tenha identidade estrutural e funcional diferenciada, estão tão integrados que cada um é parte constitutiva dos outros. Sua separação se faz necessária apenas para a descrição do processo. Uma das consequências dessa interpretação é de que qualquer atividade humana sempre interfere em todos eles. Qualquer atividade motora tem ressonâncias afetivas e cognitivas; toda disposição afetiva tem ressonâncias motoras e cognitivas; toda operação mental tem ressonâncias afetivas e motoras. E todas essas ressonâncias têm um impacto no quarto conjunto: a pessoa. (Wallon, 1995 p. 15)

Ele de alguma forma ratifica a importância de o educador da criança saber recebe-la com tudo aquilo que ela traz de seus lares, sejam eles estruturados ou não. Mas o processo educativo acontece a partir de espaços sociais reais, dosados ou equilibrados e estas dosagens podem ser também pontos a serem trabalhados pela escola, de forma lúdica, coletiva e educativa.

As emoções são a exteriorização da afetividade(....) Nelas que assentam os exercícios gregários, que são uma forma primitiva de comunhão e de comunidade. As relações que elas tornam possíveis afinam os seus meios de expressão, e fazem deles instrumentos de sociabilidade cada vez mais especializados. (Wallon, 1995, p. 143)

Assim, neste primeiro passo da SEQUÊNCIA DIDÁTICA, o educador poderia desenvolver atividades que ao mesmo tempo trouxessem a criança para o ambiente escolar educativo e possibilitassem a ela melhoras naqueles aspectos identificados como fora do padrão para sua idade, aspectos estes que poderiam limitar ou impedir o seu desenvolvimento neurológico perceptivo.

A seguir algumas atividades que poderiam ter estas características:

 

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