Módulo IV - Fisiopatologia & Informações sobre as Substâncias Psicoativas (SPA)
Por Jorge Luiz Barbosa da Silva, Msc. Bioquímico e Farmacêutico
• DROGAS DEPRESSORAS DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL:
• ÁLCOOL: O álcool induz a tolerância (necessidade de quantidades progressivamente maiores da substância para se produzir o mesmo efeito desejado ou intoxicação) e a síndrome de abstinência (sintomas desagradáveis que ocorrem com a redução ou com a interrupção do consumo da substância).
• BARBITÚRICOS: Os barbitúricos podem ser utilizados para induzir o sono artificial que, como está provado pela medicina, é muito diferente do sono “natural” (fisiológico). Há alterações significativas no Sistema Nervoso Central (SNC). Os principais efeitos do uso dos barbitúricos são: diminuição da capacidade de raciocínio e concentração; a sensação de calma, relaxamento e sonolência; reflexos mais lentos. Aumentando-se as doses, a pessoa tem sintomas semelhantes à embriaguez, com lentidão nos movimentos, fala pastosa e dificuldade nos movimentos de marcha. Doses tóxicas podem provocar: sinais de incoordenação motora; acentuação da sonolência chegando até ao coma e morte por parada respiratória. São drogas que causam tolerância (sobretudo quando o indivíduo utiliza doses altas desde o início) e síndrome de abstinência quando ocorre sua retirada, o que provoca insônia, irritação, agressividade, ansiedade e até convulsões. Em geral, os barbitúricos são utilizados na prática clínica como indutores anestésicos (Ex. Tiopental) e/ou como anticonvulsivante (Ex. Fenobarbital).
• BENZODIAZEPÍNICOS: São denominados de tranquilizantes ou ansiolíticos porque levam a diminuição da ansiedade. Também induzem ao sono, atuam no relaxamento muscular e redução do estado de alerta. Essas drogas dificultam, ainda, os processos de aprendizagem e memória, e alteram, também, funções motoras, prejudicando atividades como dirigir automóveis e outras que exijam reflexos rápidos. As doses tóxicas dessas drogas são bastante altas, mas pode ocorrer intoxicação se houver uso simultâneo de outros depressores da atividade mental, principalmente, álcool ou barbitúricos. O quadro de intoxicação é muito semelhante ao causado por barbitúricos. Exemplos de benzodiazepínicos: diazepam (valium), lorazepam (lorax), bromazepam, midazolam (dormomid), flunitrazepam, clonazepam (rivotril, a segunda droga mais usada no Brasil, perdendo apenas para o Microvular – contraceptivo distribuído pelo SUS- Revista Superinteressante edição 280, Jul/2010 – pág. 86).
• OPIÓIDES: As drogas mais conhecidas desse grupo são a morfina, a heroína e a codeína, além de diversas substâncias totalmente sintetizadas em laboratório, como a metadona e meperidina. Sua ação decorre da capacidade de imitar o funcionamento de diversas substâncias naturalmente produzidas pelo organismo, como as endorfinas e as encefalinas. Normalmente, são drogas depressoras da atividade mental, mas possuem ações mais específicas, como de analgesia e de inibição do reflexo da tosse. Causam os seguintes efeitos: contração pupilar importante; diminuição da motilidade do trato gastrointestinal; efeito sedativo, que prejudica a capacidade de concentração; torpor e sonolência. Os opióides deprimem o centro respiratório, provocando desde respiração mais lenta e superficial até parada respiratória, perda da consciência e morte. São efeitos da abstinência: náuseas; cólicas intestinais; lacrimejamento; arrepios, com duração de até 12 dias; corrimento nasal; câimbra; vômitos; diarréia.
• SOLVENTES E INALANTES: Substâncias depressoras sem nenhuma utilização clínica. Os solventes podem tanto ser inalados involuntariamente por trabalhadores quanto ser utilizados como drogas de abuso, por exemplo, a cola de sapateiro. Exemplos de solventes: tolueno, xilol, n-hexano, acetato de etila, tricloroetileno, além do éter e clorofórmio, que quando misturados são chamados de “lança-perfume”, “cheirinho” ou “loló”. Os efeitos têm início bastante rápido após a inalação, de segundos a minutos, e também têm curta duração, o que predispõe o usuário a inalações repetidas, com consequências, às vezes, desastrosas. O uso crônico dessas substâncias pode levar à destruição de neurônios, causando danos irreversíveis ao cérebro, assim como lesões no fígado, rins, nervos periféricos e medula óssea. (Outro efeito ainda pouco esclarecido dessas substâncias em especial dos compostos derivados, como o clorofórmio) é sua interação com a adrenalina, pois aumenta sua capacidade de causar arritmias cardíacas, o que pode provocar morte súbita. Embora haja tolerância, até hoje não se tem uma descrição característica da síndrome de abstinência relacionada a esse grupo de substâncias.
• DROGAS ESTIMULANTES DO SNC:
• ANFETAMINAS: São substâncias sintéticas (produzidas em laboratório) como: fenproporex, o metilfenidato, o manzidol, a metanfetamina e a dietilpropiona. Seu mecanismo de ação é aumentar a liberação e prolongar o tempo de atuação de neurotransmissores utilizados pelo cérebro, a dopamina e a noradrenalina. Os efeitos do uso de anfetaminas são: diminuição do sono e do apetite; sensação de maior energia e menor fadiga, mesmo quando realiza esforços excessivos, o que pode ser prejudicial; rapidez na fala; dilatação da pupila; taquicardia; elevação da pressão arterial. Com doses tóxicas, acentuam-se esses efeitos. O indivíduo tende a ficar mais irritável e agressivo e pode considerar-se vítima de perseguição inexistente (delírios persecutórios) e ter alucinações e convulsões. O consumo dessas drogas induz tolerância. Não se sabe com certeza se ocorre uma verdadeira síndrome de abstinência. São frequentes os relatos de sintomas depressivos: falta de energia, desânimo, perda de motivação, que, por vezes, são bastante intensos quando há interrupção do uso dessas substâncias. Entre outros usos clínicos dessa substância, destaca-se a utilização como moderadores do apetite (remédios para regime de emagrecimento).
• COCAÍNA: O mecanismo de ação da cocaína no SNC é muito semelhante ao das anfetaminas, mas a cocaína atua, ainda, sobre um terceiro neurotransmissor, a serotonina, além da noradrenalina e da dopamina. A cocaína apresenta, também, propriedades de anestésico local que independem de sua atuação no cérebro. Essa era, no passado, uma das indicações de uso médico da substância, hoje obsoleto. Seus efeitos têm início rápido e duração breve. No entanto, são mais intensos e fugazes quando a via de utilização é a intravenosa ou quando o indivíduo utiliza o crack ou merla. Efeitos do uso da cocaína: sensação intensa de euforia e poder; estado de excitação; hiperatividade; insônia; falta de apetite; perda da sensação de cansaço. Apesar de não serem descritas tolerância nem síndrome de abstinência inequívoca, observa-se, frequentemente, o aumento progressivo das doses consumidas. Particularmente, no caso do crack, os indivíduos desenvolvem dependência severa rapidamente, muitas vezes, em poucos meses ou mesmo algumas semanas de uso. Com doses maiores, observam-se outros efeitos, como irritabilidade, agressividade e até delírios e alucinações, que caracterizam um verdadeiro estado psicótico, a psicose cocaínica. Também podem ser observados aumento da temperatura e convulsões, frequentemente de difícil tratamento, que podem levar à morte se esses sintomas forem prolongados. Ocorrem, ainda, dilatação pupilar, elevação da pressão arterial e taquicardia (os efeitos podem levar até a parada cardíaca, uma das possíveis causas de morte por superdosagem = overdose).
• DROGAS PERTURBADORAS DO SNC:
• MACONHA: O uso de maconha pode, dependendo da concentração e da sensibilidade individual, ocorrer perturbações mais evidentes do psiquismo, com predominância de delírios e alucinações. Efeitos psíquicos crônicos: o uso continuado interfere na capacidade de aprendizado e memorização. Pode induzir um estado de diminuição da motivação, que pode chegar à síndrome amotivacional, ou seja, a pessoa não sente vontade de fazer mais nada, tudo parece ficar sem graça, perder a importância. Efeitos físicos agudos: Hiperemia conjuntival (os olhos ficam avermelhados); diminuição da produção da saliva (sensação de secura na boca); taquicardia com a frequência de 140 batimentos por minuto ou mais. Efeitos físicos crônicos: problemas respiratórios são comuns, uma vez que a fumaça produzida pela maconha é muito irritante, além de conter alto teor de alcatrão (maior que no caso do tabaco) e nele existir uma substância chamada benzopireno, um conhecido agente cancerígeno. Ocorre, ainda, uma diminuição de 50% a 60% na produção de testosterona dos homens, podendo haver infertilidade
• ALUCINÓGENOS: Drogas que possuem a propriedade de provocar uma série de distorções do funcionamento normal do cérebro. Há como consequência uma variada gama de alterações psíquicas, entre as quais alucinações e delírios, sem que haja uma estimulação ou depressão da atividade cerebral. Fazem parte deste grupo a dietilamida do ácido lisérgico (LSD) e o Ecstasy. ATENÇÃO: No Brasil, o Ministério da Saúde não reconhece nenhum uso clínico dos alucinógenos, e sua produção, porte e comércio são proibidos no território nacional. O grupo de drogas alucinógenas pode ser subdividido entre as seguintes características:
• alucinógenos propriamente ditos ou alucinógenos primários – são capazes de produzir efeitos psíquicos em doses que praticamente não alteram outra função no organismo;
• alucinógenos secundários – são capazes de induzir efeitos alucinógenos em doses que afetam de maneira importante diversas outras funções;
• plantas com propriedades alucinógenas – diversas plantas possuem propriedades alucinógenas como, por exemplo, alguns cogumelos (Psylocibe mexicana, que produz a psilocibina), a jurema (Mimosa hostilis) e outras plantas eventualmente utilizadas na forma de chás e beberagens alucinógenas.
• DIETILAMADA DO ÁCIDO LISERGICO: LSD Substância alucinógena sintetizada artificialmente e uma das mais potentes com ação psicotrópica que se conhece. As doses de 20 a 50 milionésimos de grama produzem efeitos com duração de 4 a 12 horas. Seus efeitos dependem muito da sensibilidade da pessoa às ações da droga, de seu estado de espírito no momento da utilização e também, do ambiente em que se dá a experiência. Efeitos do uso de LSD: distorções perceptivas (cores, formas e contornos alterados); fusão de sentidos (por exemplo, a impressão de que os sons adquirem forma ou cor); perda da discriminação de tempo e espaço (minutos parecem horas ou metros assemelham-se a quilômetros); alucinações (visuais ou auditivas) podem ser vivenciadas como sensações agradáveis, mas também podem deixar o usuário extremamente amedrontado; estados de exaltação (coexistem com muita ansiedade, angústia e pânico, e são relatados como boas ou más “viagens”). Outra repercussão psíquica da ação do LSD sobre o cérebro são os delírios.
• ECSTASY (3,4-metileno-dioxi-metanfetamina ou MDMA) É uma substância alucinógena que guarda relação química com as anfetaminas e apresenta, também, propriedades estimulantes. Seu uso quase sempre está associado a certos grupos, como os jovens frequentadores de danceterias ou boates. Há relatos de casos de morte por hipertermia maligna, em que a participação da droga não é completamente esclarecida. Possivelmente, a droga estimula a hiperatividade e aumenta a sensação de sede ou, talvez, induza um quadro tóxico específico. Também existem suspeitas de que a substância seja tóxica para um grupo específico de neurônios produtores de serotonina.
• ANTICOLINÉRGICOS: Substâncias provenientes de plantas ou sintetizadas em laboratório. Têm a capacidade de bloquear as ações da acetilcolina, um neurotransmissor encontrado no SNC e no Sistema Nervoso Periférico (SNP). Produzem efeitos sobre o psiquismo quando utilizadas em doses relativamente grandes e também provocam alterações de funcionamento em diversos sistemas biológicos, portanto, são drogas pouco específicas. Como efeitos psíquicos, os anticolinérgicos causam alucinações e delírios. Pessoas intoxicadas se sentem perseguidas ou têm visões de pessoas ou animais. Esses sintomas dependem bastante da personalidade do indivíduo, assim como das circunstâncias ambientais em que ocorreu o consumo dessas substâncias. Os efeitos são, em geral, bastante intensos e podem durar até 2 ou 3 dias.Efeitos somáticos (no organismo): dilatação da pupila; boca seca; aumento da frequência cardíaca; diminuição da motilidade intestinal (até paralisia); dificuldades para urinar. Em doses elevadas, podem produzir grande elevação da temperatura (até 40-41°C), com possibilidade de ocorrerem convulsões. Nessa situação, a pessoa apresenta-se com a pele muito quente e seca, com uma hiperemia, principalmente, localizada no rosto e no pescoço. •
Informações complementares:
1. Drogas circulantes na sociedade:
O importante é que saibamos que há muitos produtos considerados em circulação na sociedade. Essas substâncias estão presentes nos produtos de limpeza de nossas casas (domissanitários) e que podem gerar intoxicações. Há outras substâncias utilizadas em medicina e que não constituem problemas para a saúde visto que estão controladas tanto pelos órgãos de Fiscalização (Vigilância Sanitária, ANVISA e Órgãos de Defesa do Consumidor) quanto pelos Conselhos Técnicos (de Medicina, Farmácia, Enfermagem...) o que impede prescrições e usos indevidos dessas substâncias. Há ainda outras drogas de venda livre - como o tabaco e as bebidas alcoólicas permitidas para maiores de 18 anos - que também acarretam inúmeros malefícios para quem as usa e por extensão para a sociedade. Enfim: todas as drogas são perigosas. Embora existam drogas mais perigosas que outras, todas contribuem para o desinteresse e desmotivação das pessoas em relação à vida e ao futuro. O consumo habitual de drogas conduz à dependência, que se caracteriza pela necessidade de consumir doses cada vez maiores de uma droga para obter os mesmos efeitos.
2. Produção de drogas: outra coisa importante a se considerar são as formas de produção dessas drogas. Em linhas gerais as drogas podem ser:
- Naturais: obtidas a partir de determinadas plantas, de animais e de alguns minerais. Exemplo: a cafeína (do café), a nicotina (presente no tabaco), o ópio (na papoula) e o THC tetraidrocanabinol (da cannabis = maconha).
- Sintéticas: são fabricadas em laboratório, exigindo para isso técnicas especiais. Podemos aqui denominar “droga” qualquer substância e/ou ingrediente utilizado em laboratórios, farmácias, tinturarias, etc., desde um pequeno comprimido para aliviar uma dor de cabeça ou até mesmo uma inflamação, é uma droga. Contudo, o termo é comumente empregado a produtos alucinógenos ou qualquer outra substância tóxica que leva à dependência como o cigarro e o álcool, que por sua vez têm sido sinônimo de entorpecente.
As drogas psicoativas são substâncias naturais ou sintéticas que ao serem penetradas no organismo humano, independente da forma (ingerida, injetada, inalada ou absorvida pela pele), entram na corrente sanguínea e atingem o cérebro alterando todo seu equilíbrio, podendo levar o usuário a reações agressivas.
3. Intoxicação Aguda:
É uma condição transitória seguindo-se a administração de álcool ou outra substância psicoativa, resultando em perturbações no nível de consciência, cognição, percepção, afeto ou comportamento, ou outras funções ou respostas psicofisiológicas.
4. Uso Nocivo:
É um padrão de uso de substância psicoativa que está causando dano à saúde. O dano pode ser físico (como no caso de hepatite decorrente da administração de drogas injetáveis) ou mental (ex. episódio depressivo secundário a um grande consumo de álcool).
5. Toxicomania = Adicção:
A toxicomania é um estado de intoxicação periódica ou crônica, nociva ao indivíduo e à sociedade, determinada pelo consumo repetido de uma droga (natural ou sintética). Suas características são:
1 - irresistível desejo causado pela falta que obriga a continuar a usar droga.
2 - tendência a aumentar a dose.
3 - dependência de ordem psíquica (psicológica), às vezes física acerca dos efeitos das drogas.
6. Classificação do uso de drogas segundo a Organização Mundial de Saúde:
• Uso na vida: o uso de droga pelo menos uma vez na vida.
• Uso no ano: o uso de droga pelo menos uma vez nos últimos doze meses.
• Uso recente ou no mês: o uso de droga pelo menos uma vez nos últimos 30 dias.
• Uso frequente: uso de droga seis ou mais vezes nos últimos 30 dias.
• Uso de risco: padrão de uso que implica alto risco de dano à saúde física ou mental do usuário, mas que ainda não resultou em doença orgânica ou psicológica.
• Uso prejudicial: padrão de uso que já está causando dano à saúde física ou mental.
7. Quanto à frequência do uso de drogas, segundo a OMS, os usuários podem ser classificados em:
• Não-usuário: nunca utilizou drogas;
• Usuário leve: utilizou drogas no último mês, mas o consumo foi menor que uma vez por semana;
• Usuário moderado: utilizou drogas semanalmente, mas não todos os dias, durante o último mês;
• Usuário pesado: utilizou drogas diariamente durante o último mês.
8. A OMS considera ainda que o abuso de drogas não pode ser definido apenas em função da quantidade e frequência de uso. Assim, uma pessoa somente será considerada dependente se o seu padrão de uso resultar em pelo menos três dos seguintes sintomas ou sinais, ao longo dos últimos doze meses:
• Forte desejo ou compulsão de consumir drogas;
• Dificuldades em controlar o uso, sejam em termos de início, término ou nível de consumo;
• Uso de substâncias psicoativas para atenuar sintomas de abstinência, com plena consciência dessa prática;
• Estado fisiológico de abstinência;
• Evidência de tolerância, quando o indivíduo necessita de doses maiores da substância para alcançar os efeitos obtidos anteriormente com doses menores;
• Estreitamento do repertório pessoal de consumo, quando o indivíduo passa, por exemplo, a consumir drogas em ambientes inadequados, a qualquer hora, sem nenhum motivo especial;
• Falta de interesse progressivo de outros prazeres e interesses em favor do uso de drogas;
• Insistência no uso da substância, apesar de manifestações danosas comprovadamente decorrentes desse uso;
• Evidência de que o retorno ao uso da substância, após um período de abstinência, leva a uma rápida reinstalação do padrão de consumo anterior.
9. O que leva uma pessoa a usar drogas:
Pesquisas recentes apontam que os principais motivos que levam um indivíduo a utilizar drogas são: curiosidade, influência de amigos (mais comum), vontade, desejo de fuga (principalmente de problemas familiares), coragem (para tomar uma atitude que sem o uso de tais substâncias não tomaria), dificuldade em enfrentar e/ou aguentar situações difíceis, hábito, dependência (comum), rituais, busca por sensações de prazer, tornar (-se) calmo, servir de estimulantes, facilidades de acesso e obtenção e etc. (http://www.brasilescola.com/drogas )
10. Como as escolas podem colaborar na prevenção do uso indevido de drogas?
Diversas escolas têm adotado programas educativos com esse objetivo. Eles podem ser de grande ajuda aos jovens, sobretudo a partir do início da adolescência, desde que conduzidos de forma adequada. Informações mal colocadas podem aguçar a curiosidade dos jovens, levando-os a experimentar drogas. Discursos antidrogas e mensagens amedrontadoras ou repressivas, além de não serem eficazes, podem até mesmo estimular o uso. Nos programas de prevenção mais adequados, o uso de drogas deve ser discutido dentro de um contexto mais amplo de saúde. As drogas, a alimentação, os sentimentos, as emoções, os desejos, os ideais, ou seja, a qualidade de vida entendida como bem-estar físico, psíquico e social, são aspectos a serem abordados no sentido de levar o jovem a refletir sobre como viver de maneira saudável. Os jovens devem aprender a conhecer suas emoções e a lidar com suas dificuldades e problemas. Um modelo de prevenção deve contribuir para que os indivíduos se responsabilizem por si mesmos, a fim de que comportamentos de risco da sociedade como um todo possam ser modificados.
Referências:
1. NATIONAL INSTITUTE ON ALCOHOL ABUSE AND ALCOHOLISM – NIAAA Council approves definition of binge drinking. NIAAA Newsletter. 2004;3:3.
2. Organização Mundial de Saúde. CID-10 - Critérios diagnósticos para pesquisas. Porto Alegre: Artes Médicas Sul; 1997.
3. SILVEIRA, C.M.; Wang, Y.P.; ANDRADE, A.G.; ANDRADE, L.H. – Heavy Episodic Drinking in the São Paulo Epidemiologic Catchment Area Study in Brazil: Gender and Sociodemographic Correlates. J.Stud. Alcohol Drugs, v.68, n.1, p. 18-27, 2007.
Jorge Luiz Barbosa da Silva é professor de Química do Rede Estadual de Ensino de Santa Catarina, professor do Cursinho Pré- Vestibular Só Exatas, de Florianópolis (SC), professor de pós-graduação da Faculdade Luterana de Teologia (FLT – SC), farmacêutico, bioquímico, Presidente do Conselho Municipal sobre Drogas – COMEN (Florianópolis) e Membro do Fórum Parlamentar sobre Drogas da Câmara Municipal de Florianópolis (SC).









