Mudanças na Educação

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Mario Sergio Cortella e Christian Coelho no 1º Direcional Educação

Evento realizado na última quarta-feira, dia 13 de abril, pelas revistas Direcional Educador e Direcional Escolas, trouxe dois conferencistas com ampla experiência em educação, defensores de novos olhares e posturas entre os profissionais da área. Enquanto Cortella falou ao educador de uma forma geral, destacando o descompasso ainda presente entre práticas “do século XIX” e o "aluno do século XXI", Christian mostrou aos gestores e à sua equipe como tornar o trabalho pedagógico compreensível e visível aos pais.

Por Luiza Oliva e Rosali Figueiredo
Fotos João Elias

O amplo e moderno auditório do Colégio Maria Imaculada, na região do Paraíso, em São Paulo, foi tomado por 420 gestores, coordenadores pedagógicos, professores e outros profissionais ligados à educação, durante o 1º Direcional Educação, evento realizado pelo Grupo Direcional na quarta-feira, dia 13 de abril. Desde as 7h30 da manhã, os participantes começaram a chegar ao local para assistir às conferências de Mario Sergio Cortella e Christian Rocha Coelho, sob o tema “Em tempos de mudanças, qual direção seguir?”. Recepcionado com um café da manhã, o público tinha como objetivo comum passar uma manhã enriquecedora para a sua formação profissional, atividade que se estendeu até 13h30 e incluiu um coffee-break, uma sessão de contação de histórias e sorteios de brindes. Além de muitos participantes de São Paulo, Capital, o evento recebeu educadores provenientes de Taubaté, Poá, Ribeirão Pires, Santo André, Campo Limpo e Rio de Janeiro.  


Pela renovação contínua dos olhares e da prática
 

A palestra de Mario Sergio Cortella, realizada entre 9h00 e 10h30, “soou como música” aos ouvidos dos participantes, conforme bem expressou o diretor do Colégio Discere Laboratum, Moacir Colangelo Pinto.
 
Cortella discorreu sobre as mudanças de paradigma para educadores de um novo tempo, mantendo um olhar apaixonado e apaixonante sobre o ato de ensinar e de aprender. “Não é a tecnologia que torna moderna uma mentalidade pedagógica, mas é uma mentalidade pedagógica moderna que não recusa a tecnologia quando ela é necessária”, avaliou o educador, ao ponderar sobre o velho e o idoso, o novo e a novidade em educação. Segundo Cortella, o velho está paralisado pelas certezas, enquanto o idoso, a despeito do caminhar dos anos, apresenta dúvidas, questiona-se o tempo todo e, nesse movimento, consegue inovar e estabelecer uma interlocução com o aluno. 
 
O educador, que há 35 anos leciona na PUC de São Paulo, destacou que muitos professores ainda utilizam modelos do século XIX para trabalhar com estudantes nascidos no século XXI, o que cria um enorme descompasso. “Mais do que a mudança do olhar, é preciso mesmo uma mudança de prática”, disse. O recado foi direcionado tanto aos professores e coordenadores quanto aos gestores, pois, segundo Cortella, estes também devem entender que “o modo de estruturação da educação é outro, que eles exercem um papel inteligente, de liderança, que devem inspirar, motivar e animar”.
 
Como tornar o trabalho mais compreensível 
 
O consultor especializado em marketing e coaching educacional, Christian Rocha Coelho, que atende a mais de 800 escolas privadas no País, abordou, por sua vez, medidas que os gestores devem adotar para motivar suas equipes, tornando-as protagonistas no empreendimento da educação. Christian chegou mesmo a apresentar um “Organograma de Responsabilidades” que as escolas devem adotar, para que cada membro da equipe pedagógica e também administrativa tenha clareza dos seus papéis e possa desempenhá-los como verdadeiros parceiros comprometidos com o processo de ensino-aprendizagem. Para isso, no entanto, é importante que as instituições valorizem esse profissional, premiando criteriosamente as vitórias alcançadas.
 
O consultor ponderou que a escola de sucesso é aquela que funciona na sala de aula, em que os professores se tornam os principais veiculadores dessa imagem e estão juntos no processo de inovação, de implantação de uma nova rotina, que atenda aos propósitos da instituição. “E a partir do momento em que o pai passa a entender o que a escola faz, gera-se a comunicabilidade”, disse Christian, em uma palestra que se estendeu das 11h15 às 12h45. 
 
Não é tarefa fácil, pois em algumas perguntas encaminhadas pelo público, ficou evidente que os educadores encontram hoje muita dificuldade para estabelecer essa interlocução com os pais, não conseguem, muitas vezes, fazê-los compreender que as escolas precisam trabalhar limites, estabelecer regras, consolidar valores, situações nas quais nem sempre encontram respaldo familiar. “Como construir a autoridade docente nesses dias em que as crianças e os jovens estão sendo educados como grandes tiranos dentro de casa?”, questionou uma educadora da platéia.
 
Nesse aspecto, Mario Sergio Cortella observou que é preciso deixar claro que compete às instituições de ensino o papel da escolarização, ao passo que a família deve reassumir a sua responsabilidade pela educação global da criança. Uma forma de trabalhar isso seria por ações que façam os familiares acompanharem mais a vida escolar, participando das atividades nas instituições. “Houve uma desintegração da comunidade familiar, que não se resume ao núcleo pai, mãe e filho, mas inclui os avós, que se afastaram. A tecnologia mudou o modo de acompanhar os filhos. A família se afastou mais, por necessidade do trabalho, pelos deslocamentos mais demorados e pelas distâncias maiores. Mas é preciso reaproximar todos e colocá-los juntos da escola, é preciso fazer um mutirão pela vida que espraia”, defendeu Cortella.  
  
O educador, escritor e contador de histórias Robson A. Santos fechou o evento, com uma bem humorada apresentação do personagem Pedro Malasartes. Sonia Inakake, diretora do Grupo Direcional, sorteou brindes entre os participantes, entregues pelos patrocinadores do 1º Direcional Educação: Cineplast, Help Administração e Contabilidade, HetchTech, iformação, Metadil e ZazTras.
 
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Fotos João Elias